Economia, precariedade e saúde nas relações de trabalho são temas de discussão do X Fórum Social Mundial
27/01/2010 10:32h
Período da tarde contou com a presença de especialistas, que discutiram sobre as consequências da crise econômica mundial, a reforma trabalhista, e demais aspectos sobre o tema.
O primeiro painel do FSM da tarde desta terça-feira (26) trouxe uma relação indissociável para os que desejam discutir o trabalho – tema central da oficina “Mundos do Trabalho” –. As correspondências entre trabalho e as economias brasileira e mundial foram a pauta do encontro que trouxe especialistas renomados para a sede da OAB/RS e reuniu participantes de diferentes partes do país e do mundo.
O debate teve início com a intervenção de Anselmo L. Santos, Doutor pelo Instituto de Economia da Unicamp, que abordou a crise econômica global e seus impactos na estruturação do mercado de trabalho. Na visão dele, o Brasil alcançou, já a partir da década de 90, e, principalmente, entre os anos 2004 e 2008, níveis de crescimento econômico que o fizeram não sentir o feito da turbulência mundial de forma expressiva.
“Indicadores como o fortalecimento do salário mínimo e políticas de combate ao desemprego impulsionaram o crescimento do país, com as classes mais baixas ganhando poder de consumo, inclusive”, aponta. A diminuição do desemprego, de acordo com o professor, gera incremento da arrecadação da previdência.
Também professor do Instituto, o segundo palestrante foi José Dari Krein, que, entre os tópicos abordados, falou sobre prós e contras do sistema de PPR, já adotado em muitas empresas e pivô de um PL que também é tema dos debates do X FSM.
A última pessoa a falar dentro do painel foi Magda Biavaschi, desembargadora do TRT4 e pós-doutorada pela Unicamp. Ela tratou das regulações do trabalho e suas correspondências em melhorias do direito do trabalho e da sociedade como um todo. A terceirização (uma das expressões do capitalismo, que visa ao lucro e acúmulo de capitais de forma irrestrita) foi um dos alvos de crítica em sua participação. Ela encerrou sua fala citando trecho de “Casa Grande e Senzala”, obra-prima de Gilberto Freyre, publicada em 1933.
Precarização do Trabalho
O último painel do primeiro dia das atividades do X Fórum Social Mundial, teve como tema central de discussão a “Precarização do Trabalho x Trabalho decente e dignidade do trabalhador: saúde, acidente, condições de trabalho”.
Compuseram a mesa o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) José Celso; o representante do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) Luiz Salvador; e a presidente de mesa e juíza Magda Biavaschi.
No painel, Celso discorreu sobre a reforma trabalhista e os rumos para o futuro. O pesquisador também fez um balanço das condições de trabalho do país.
Por sua vez, Salvador fez uma exposição sobre a legislação infortunística, apresentando dados sobre o aumento do número de acidentes de trabalho no País, e o descumprimento da constituição.
“Vivemos uma tragédia na saúde dos trabalhadores, muitos acidentes ocorrem ano a ano, e isso tem que ter uma solução”, apontou Salvador.
Mesmo não podendo comparecer ao evento, os palestrantes Daniel Pestana Mota e Giovanni Alves enviaram para exposição um vídeo que teve como discussão a precarização do trabalho e saúde.
No filme, trechos de clássicos do cinema, como Tempos Modernos, de Charlie Chaplin, imagens do trabalho industrial, e temas como globalização e capitalismo, foram utilizados pelos estudiosos para expor as suas reflexões para os presentes.
No final do evento, foi aberto espaço para os debates, no qual a jurista cubana Lidia Guevara trouxe em pauta a violência contra a mulher no trabalho - uma forma de discriminação no emprego. O debatedor Luís Ramires (Lucho), também expôs aos presentes a discussão sobre os avanços na legislação social na Argentina.
27/01/2010 10:32h
